conto - vitiligo

bem, reativando o blog, posto meu pequeno conto publicado no fanzine Pseudo&Cult #1


3º Concurso de Poesia Urbana de Brusque-SC - Recebimento de Certificados e Cartões Postais.


Recebi, em tempo recorde, pelo correio, o certificado e os Cartões Postais do 3º Concurso de Poesia Urbana de Brusque-SC. Além do meu "Poema Curto" estampam as impressões outros nove vencedores, que podem ser conferidos no site da UNIFEBE.

Técnica



E tudo anda tão morno. Todos se abraçam à técnica como se estivesse na técnica a solução pra falta de carne desses últimos anos. O mundo, no entanto, não precisa de mais máquinas, estamos cheios delas, de seus barulhos. O mundo precisa de pele - menos pose, posse, piso, mais palato, púbis, podridão. O mundo necessita daquilo que está esquecido nos cantos mais escuros do nosso quarto, embaixo da cama, atrás do porta-retratos, no vão imperceptível entre as duas tábuas do assoalho. O mundo implora por aquilo que escondemos dos outros e de nós mesmos com tanta profundidade, e tão bem, que nem mesmo nós sabemos que possuímos. Escrevemos sobre o medo e a dor, enquanto os dois, em silêncio, esconde-se intactos sob o fundo falso de nossas gavetas.

Poema Curto - Um dos Vencedores do 3º Concurso de Poesia Urbana de Brusque-SC



O Centro Universitário de Brusque-SC - UNIFEBE realizou a 3ª Edição do Concurso de Poesia Urbana. O concurso, que apresentou mais de 400 trabalhos inscritos, teve como peculiaridade a exigência de apenas 30 palavras por poema. Confesso que fiquei um pouco bravo de início por isso, motivo pelo qual nomeei meu trabalho apenas "poema curto". Bom, babaquice minha à parte, dia 28 de agosto, o site noticiou que fui um dos dez vencedores do certame. Enfim, segue abaixo o meu odioso escrito(literalmente), espero que gostem.


Jantar no Clube Comercial - Poema Finalista do Concurso Ainda Há Poesia

O blog Ainda Poesia, do Poeta e Juiz de Direito Vinicius Bovo, promoveu o "1º Concurso Ainda há poesia" que contou com mais de 350 poemas inscritos, incluindo candidatos da Africa, Portugal e Japão. O único requisito era que o poema deveria ter apenas sete versos: eis o meu pavor.
Com dificuldade, achei um poeminha esquecido que se encaixava na exigência, e, para minha completa surpresa, o meu despretensioso "Jantar no Clube Comercial" ficou entre os onze finalistas. Não ganhei as desejadas coleções de Drumond e Vinícius de Moraes, mas em breve chegará um certificado que, juntamente com minhas outras duas publicações, embelezará minha estante. Segue abaixo o meu odioso escrito.

Suavemente, suave ment... PLAF!

Quando eu tinha uns doze anos, fiz um poema brincando com a palavra “suavemente”. Escrevi algo como “Suave, suavemente, suave mente”. Achei que a "mente" o final dos advérbios era uma descoberta que me renderia uma cadeira na academia de letras,  demorou alguns dias para que a folha de papel achasse seu lar no cesto de lixo.
Os advérbios de modo são como irmãos gêmeos: embora não tenham a mesma alma, por fora são muito parecidos, podendo sempre serem alvos dessas brincadeiras já desgastadas.
Deve doer muito ser um deles, pense bem, ser usado assim, desse mesmo jeito, há séculos. Há fortes indícios, inclusive, de ser um destes poemas, de origem suméria, que está pintado numa pequena caverna onde hoje fica o Iraque.
Continuo vendo esse tipo de construção até hoje, por aí. Bem pensava que apenas eu achava isso uma porcaria, mas me surpreendi ao ver o meu lindo joguinho de advérbios no vídeo da MTV “frases que valem um tapa na cara”. Se eu fizesse um desses hoje, mereceria, definitivamente.

Amor e Bico de Bulsen


O átomo é um imenso espaço vazio. Do laboratório pra fora, as casas se decompõem com calma e vento, sem que consigamos perceber. Do laboratório pra fora, todas as teorias, e a segurança que nelas depositamos, aguardam para abraçar outras, novas, como sempre fizeram. A verdade é um querer solitário, e tudo o que temos como certo, resoluto, estável, queima e muda de nome, de acordo com quem arma o Bico de Bulsen. A cidade que adormece hoje, amanhã, não será outra coisa senão um imenso talvez. Sei que dói cada uma dessas interrogações de sol. Acredito no amor porque não há mais nada em que acreditar, porque, se não fosse isso, sobraria do mundo apenas matéria. Amo por não desejar ser mais uma partícula sílica, invisível, a se desprender das paredes das casas que avisto. Amo porque temo a solidão. Amo porque, sobretudo, odeio toda essa química.

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